Autor: Jalim Rabey

  • “Ai meu Deus… a IA vai acabar com os empregos.”

    “Ai meu Deus… a IA vai acabar com os empregos.”

    Essa frase virou o novo “bom dia” do século XXI.

    Ela chega antes do café, antes da coragem e, muitas vezes, antes do raciocínio.

    Eu mesmo já repeti isso.

    Não como quem alerta… mas como quem tenta entender.

    Porque, no meio dessa avalanche de tecnologia, a verdade é que não foi o mundo que mudou primeiro — fui eu.

    Antes da IA, meu trabalho tinha peso.

    Não só no sentido figurado… peso mesmo.

    Um serviço manual, daqueles que exigem paciência, lógica, tentativa, erro e um pouco de teimosia, facilmente consumia um dia inteiro. Às vezes dois. Às vezes mais.

    E havia um certo orgulho nisso.

    Eu sabia fazer.

    Eu dominava o processo.

    Eu era necessário.

    Hoje?

    Um bom prompt… e em poucos minutos, está pronto.

    Pronto.

    Essa palavra nunca foi tão estranha.

    E aí nasce o dilema.

    Eu sei fazer.

    Mas a IA faz mais rápido.

    Muito mais rápido.

    E melhor? Nem sempre.

    Mas rápido o suficiente para me fazer pensar duas vezes antes de começar.

    Então surge uma nova função, quase silenciosa:

    De executor… eu virei avaliador.

    Muitas vezes, é mais inteligente analisar o que foi feito, ajustar, lapidar… do que começar do zero.

    E isso mexe com a gente.

    Porque não é só produtividade.

    É identidade.

    Meu pensamento mudou.

    Mudou mesmo.

    Antes, quando alguém chegava com uma demanda, meu cérebro fazia aquele cálculo instantâneo:

    “Isso eu consigo.”

    “Isso eu não consigo.”

    Era quase automático. Um filtro natural da limitação humana.

    Hoje, esse filtro desapareceu.

    E foi substituído por algo muito mais perigoso… ou poderoso:

    “Eu consigo fazer qualquer coisa: Só preciso descobrir como.”

    Percebe a diferença?

    Antes, o limite era técnico.

    Agora, o limite é estratégico.

    E enquanto muita gente ainda está lutando contra a tecnologia…

    tentando resistir, desacelerar, negar…

    Eu escolhi outro lado.

    O lado de quem entende que não adianta correr contra o vento.

    Então eu corro com ele.

    Eu quero aprender tudo o que puder.

    Tudo o que aumente minha produtividade.

    Tudo o que me torne mais rápido, mais eficiente… mais assertivo.

    Porque, no fim das contas, a IA não substitui quem pensa.

    Ela atropela quem insiste em não evoluir.

    Então, sim…

    Talvez a IA acabe com alguns empregos.

    Mas, principalmente, ela está acabando com versões antigas de nós mesmos.

    E isso — por mais desconfortável que seja — talvez seja exatamente o que a gente precisava.